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Tejo Internacional vai ter embarcações turísticas

O Tejo Internacional vai ter, pelo menos, mais uma embarcação turística a motor nos seus rios. A alteração ao Plano de Ordenamento do Parque Natural do Tejo Internacional (PNTI) foi aprovada em Conselho de Ministros na semana passada, a 17 de Outubro, e prevê a “possibilidade de realizar algumas utilizações do plano de água da albufeira de Monte Fidalgo [no Rio Tejo e perto da foz do Rio Ponsul], nomeadamente nas áreas do turismo de natureza e da pesca profissional”.

Ao que o SOL apurou, já há uma empresa portuguesa interessada em explorar turisticamente e durante todo o ano as águas da albufeira de Monte Fidalgo com um catamarã a motor – a Ponsulativo. A empresa construiu em 2012 um ancoradouro em Lentiscais, na freguesia de Malpica do Tejo, e transporta, desde Agosto desse ano, turistas entre as margens espanhola e portuguesa numa pequena embarcação de sete lugares, a Moura Encantada. “No ano passado, transportámos em parceria com a Balcón del Tajo [embarcação da freguesia de Cáceres] 5. 800 turistas espanhóis e 1. 800 portugueses, entre Cedilho e Lentiscais”, contabiliza Domingos Leitão, da Ponsulativo. Este ano, o negócio também está a correr a bom ritmo, diz o empresário: “Estamos a transportar cerca de 120 pessoas por fim-de-semana”. Domingos Leitão espera agora a publicação em Diário da República da alteração ao Plano de Ordenamento do PNTI para investir numa embarcação maior, um catamarã com 18 lugares. O investimento previsto é de 18 mil euros e o empresário espera conseguir parte através dos fundos do QREN – Quadro de Referência Estratégica Nacional.

Quercus prepara queixa

Os ambientalistas da Quercus acusam, porém, o Governo de estar, com esta alteração ao plano de ordenamento, a colocar em risco espécies sensíveis do ponto de vista da conservação. E preparam-se para apresentar uma queixa nos tribunais e junto da Comissão Europeia. “Há uma clara violação da Directiva Aves. Naquela zona nidificam os casais de abutres Egipto e também cegonhas pretas [o símbolo do PNTI]”, diz o responsável da Quercus em Castelo Branco, Samuel Infante.

As duas alterações agora aprovadas estiveram em consulta pública até Abril e foram contestadas na altura por proprietários da região e pela Quercus. O novo plano teve ainda o parecer desfavorável da Câmara Municipal de Castelo Branco que pretendia duas embarcações turísticas a motor em vez de apenas uma. Os resultados da consulta pública não foram, porém, divulgados até agora.

Fonte: SOL