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Paredão no Tejo em Abrantes já tem canal que permite passagem de peixe

A empresa que reabilitava um travessão de pedra no rio Tejo, o qual impedia a circulação de água e de peixes, abriu um canal de passagem que “normalizou a situação”, disse nesta quinta-feira à Lusa fonte da Pegop.

“A pedido da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) abrimos na quarta-feira um canal para permitir a passagem de peixe e ficou assim reposta a circulação montante/jusante no rio Tejo, quer de peixe, quer de água”, garantiu à agência Lusa o director de recursos humanos da Central Termoeléctrica do Pego – Pegop, tendo observado, no entanto, que a solução “é provisória” e que a mesma não serve as necessidades da Central.

Na próxima terça-feira, “vamos ter uma reunião com responsáveis da APA para tentar encontrar uma solução técnica que satisfaça todas as partes”, adiantou José Vieira, tendo observado que uma das soluções pode passar por “voltar a fechar o canal agora aberto e rebaixar a zona das antigas escadas de passagem de peixe, para um nível mais consentâneo com o volume de água que hoje passa no Tejo”.

Em causa está a reparação do denominado travessão (estrutura que atravessa o rio Tejo), junto à Central Termoeléctrica do Pego, em Abrantes, estrutura licenciada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e edificada há 25 anos com o objectivo de aumentar o nível da água no local e permitir a sua captação para a arrefecer o vapor proveniente das turbinas da Central.

Na sexta-feira passada, a Associação de Defesa do Ambiente – SOS Tejo disse à agência Lusa ter detectado que o rio Tejo havia sido “bloqueado em toda a sua largura” com um novo dique junto da Central Termoeléctrica do Pego, unindo esta localidade com a freguesia de Mouriscas, ambas em Abrantes, tendo manifestado a sua “revolta” pelo que considerou ser “uma nova machadada ambiental” no rio.

“O rio Tejo está bloqueado de margem a margem por uma muralha de pedras, que não deixa passar água, peixe ou embarcações de pesca”, disse Arlindo Consolado Marques, presidente da associação ambientalista.

No local, o dique, composto por grandes blocos de pedra, une as duas margens sem que o volume de água no rio permita a circulação das espécies piscícolas, apresentando no topo um caminho de terra batida para circulação de viaturas em trabalho.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) confirmou na segunda-feira que a estrutura construída no rio Tejo pela central termoeléctrica Pegop impede a progressão de peixes, tendo instruído a empresa para construir um canal que o viabilize, como medida cautelar.

José Vieira, diretor de recursos humanos da Central Termoeléctrica do Pego – Pegop -, lembrou que a obra de reparação está “devidamente licenciada” pela APA, tendo feito notar que a abertura deste canal “não serve nem resolve os problemas da Pegop, que precisa de mais água”.

“Os atuais caudais, muito reduzidos, é que provocaram este alarido, pelo que agora, e uma vez que não se prevê que o rio venha a ter muita água nos próximos meses, o que temos é de encontrar uma solução técnica que permita a passagem de água e de peixe e, simultaneamente, garanta um caudal suficiente para a captação de água”, defendeu.

Fonte: Publico